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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

B.I. da Enguia-europeia

 

Figura 1Ciclo de vida da enguia-europeia. Adaptado de (Colares-Pereira et al. 2007).

 

Nome comum: Enguia, Enguia-europeia, Meixão, Enguia de vidro, Enguia prateada, Enguia azulada, Enguia amarela.

 

Nome científico: Anguilla anguilla (Linnaeus, 1758)

 

Hábitos e Habitat: A enguia-europeia pertence à Família Anguillidae, da qual também fazem parte outras 15 espécies diferentes. Esta espécie ocorre nas bacias hidrográficas que desaguam no oceano Atlântico, e possui um dos ciclos de vida mais misteriosos e fascinantes do Reino Animal. A enguia-europeia é um peixe migrador que depende do oceano para se reproduzir, e das correntes oceânicas favoráveis que permitem o transporte das suas larvas até aos estuários. Após a chegada aos estuários, é essencial que os rios sejam de livre acesso às pequenas enguias, pois deles dependem para crescer e completar a sua metamorfose.

 

As enguias adultas – também chamadas de fase prateada - com capacidade para se reproduzir partem da costa da Europa e deixam de se alimentar, percorrendo cerca de 5000 Km até ao Mar dos Sargaços, perto das Bahamas. Aí acasalam e desovam, a cerca de 300 m de profundidade e com a água a 20ºC. As pequenas larvas de enguia-europeia – leptocéfalos – são surpreendentemente pequenas, medindo apenas 3 mm de comprimento. Mas são essas pequenas larvas translúcidas, que saem do seu berço no Mar dos Sargaços, e viajam todo o caminho de regresso à costa marítima da Europa. A viagem levará cerca de 3 anos a ser concluída. Ao chegarem à costa marítima, as pequenas larvas transformam-se nas enguias de vidro – metamorfose - e medem aproximadamente 5 cm. Ao entrarem nos estuários/foz ficam mais pigmentadas e ganham o nome de meixão ou angula. A pigmentação das jovens enguias aumenta à medida que crescem e sobem os rios. Quando atingem cerca de 20 cm de comprimento ficam com o dorso esverdeado e o ventre amarelo – fase amarela – e passam por isso a chamar-se de enguias amarelas. As enguias irão permanecer nos rios até ficarem prateadas – fase prateada – que demora cerca de 6 a 12 anos (29 – 40 cm) a atingir para os machos, e 9 a 20 anos (38 – 130 cm) para as fêmeas. Quando o Outono começa, as enguias que estão na fase prateada iniciam a descida do rio em direcção ao estuário, nadando 15 a 40 km por dia. Esta descida para o estuário pode levar até 4 meses, dependendo do ciclo da Lua, do caudal e da temperatura da água (cerca 9ºC). Chegadas às zonas costeiras, iniciarão a migração para o Mar dos Sargaços, tal como os seus progenitores anos antes tinham feito.

 

Nos rios, o habitat de eleição desta espécie é de águas bem oxigenadas, com fundos de areia ou lodo, e com densa vegetação submersa. De facto, as enguias são animais de hábitos tímidos, que durante o dia procuram refúgio entre as pedras submersas, raízes de árvores e troncos submersos, ou até mesmo enterrando-se na areia. Á chegada do crepúsculo, aventuram-se então a deixar os locais de refúgio, e tornam-se mais activas. Quando anoitece e há bastante humidade no ar, a enguia-europeia pode ser observada fora de água, procurando cursos de água próximos em busca de alimento. É uma espécie omnívora e pode alimentar-se de algas, crustáceos, larvas de insectos, anelídeos e de peixes.

A nível global, a enguia-europeia é uma espécie que se encontra Criticamente em Perigo – CR -  por diversas causas, entre elas a salientar a sobrepesca de enguias de vidro e meixão – Portugal, Espanha, França e Reino Unido - com elevado valor comercial, quer para venda a restaurantes ou para venda a aquaculturas de engorda de enguia do norte da Europa. A poluição aquática – principalmente por PCB’s - e a infestação pelo parasita Anguillicola crassus, são outros factores responsáveis pelo declínio acentuado desta espécie, sobre a qual ainda há tanto a conhecer.

 

Ana Caramujo Marcelino Canas

Bióloga Marinha do Fluviário de Mora

 

Educação – Falas do Rio

Fluviário de Mora

www.fluviariomora.pt 

 

Bibliografia consultada

 

Almaça, C. 1996. Peixes dos Rios de Portugal. Colecção Portugal Vivo. Edições INAPA, S. A. Lisboa. 129p.

 

Colares-Pereira, M.J.; Filipe, A. F. ; da Costa, L. M. 2007. Os Peixes do Guadiana, que Futuro? Guia de Peixes do Guadiana Portuvguês. Edições Cosmos. Chamusca. 294p.

 

Fotografias - Figura 1:

 

a) http://www.frs-scotland.gov.uk/Delivery/standalone.aspx?contentid=791 

 

b) http://www.haydenharnett.com/uploaded_images/eel-eggs-756892.jpg

 

c) http://www.deepseaimages.com/dsilibrary/showphoto.php?photo=20161&cat=all&limit=all

 

d) http://wb7.itrademarket.com/pdimage/55/740255_dsc059252231132302.jpg 

 

e) http://lazy-lizard-tales.blogspot.com/2009/03/freshwater-eels-anguillidae.html

 

f) http://www.nimfea.hu/english/news/european_eel.jpg

 

Webgrafia consulatada

 

http://portal.icnb.pt/NR/rdonlyres/CB478D55-FC7C-4EE2-AEFC-84B423307566/3094/LVVP_Peixes_Anguillaanguilla.pdf

 

http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/60344/0

 

http://en.wikipedia.org/wiki/European_eel

 

http://news.bbc.co.uk/earth/hi/earth_news/newsid_8273000/8273877.stm

 

http://www.nature.com/nature/journal/v409/n6823/abs/4091037a0.html

 

http://www.nature.com/hdy/journal/v103/n1/full/hdy200951a.html

 

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1507056&seccao=Biosfera

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publicado por verdinho_naturezabrincalhona às 15:02
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